terça-feira, 17 de novembro de 2009

O twitter ensina a escrever

O motivo mais preocupante na hora da escrita é não irritar o leitor com descrições óbvias. Se você escolheu uma cidade do interior de Goiás para escrever sobre um assassinato, não vejo razão em perder tanto tempo descrevendo a paisagem bucólica daquele cerrado. Sangue!

Os exemplos também irritam demais em qualquer texto. É um estupro intelectual criar metáforas para descrever uma idéia ou vice e versa. Esse tipo de redundância textual fazem os livros de 200 páginas terem 300 ou até mais. Literatura é mais que isso.

O jornalismo infectou o texto literário com vírgulas incessantes para explicar como um avião voa.. A pausa, a palavra chave, o lead. Chesterton escreveu mais de dez livros de gêneros diferentes sendo curto. O que Proust não conseguiu isso escrevendo um romance. Desculpe, mas isso não tem ligação nenhuma com estilo.

O twitter ensina muito sobre edição e os conceitos de como não irritar individuos que não tem o costume de ler. A grande questão editorial será como transformar um link impresso sem usar tanta nota de rodapé. Tesoura, lápis, papel.

Caiocito PhD & LsD of College UFMG imagination Massachussetts

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Todo Homem tem que ter sua baianinha

Sou um poeta sem conteúdo
Sem século e sem séquitos
Don’t let me down
Don’t let me down, porra!
Tomar banho emburrece
Por isso tomo café
Sou aquele galante que naquele mirante
Olhou o ocaso bêbado de sol
Sabe da minha reputação?
Prove minha fama de mau
Conhece as minhas proezas?
Nunca me viu desaparecer no ar?
Pablo Neruda te despreza, menina
Não sou íntimo da ralé
Apenas um observador
Das coisas que deram errado
Todo homem tem que ter sua baianinha
Para oferecer uva em sua boca
E balançar seu pênis mijado

E o medo de estar no bar e ser abordado por um soldado petulante gritando: “estejam presos, seus poetas alcoólatras e homofóbicos, personagenzinhos de Nelson Rodrigues”.
Deve ser humilhante, muito humilhante...

Mulheres feias, corcundas e intelectuais, que um dia já foram bonitas elegantes e fúteis. O que está acontecendo com o nosso mundo?
E o medo de Deus um dia chegar e dizer: "para cada mulher bonita e inteligente, algo nela tem que ser sacrificado, e apontando o dedo ele diz: você!"

Deve ser humilhante, muito humilhante...

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Sermão Maradoniano

Primeiramente não sinto nada por quem me lê. Que chupem e continuem chupando. Mas desprezo ainda mais quem não me lê, que mamem. Quem não me lê até o final então, nem deveria existir. E sinto pena de quem me lê pela metade. Que chupem e continuem chupando.

Desconfio sempre do elogio. Escuto a crítica como um som de uma chupada. Não aceito que me admirem. Por isso mesmo, muito menos que me corrijam. Que chupem. Não aposto para ganhar, perder ou empatar. Aposto para me impor.

Que rezem e orem por mim. E que morram também. Que se sacrifiquem por mim e sacrifiquem outros. Que pensem algo de bom ou de odioso sobre mim. Mas que pensem. E que pense enquanto chupam.

Pensem como gênios, paranormais, deuses, gurus, mestres, adivinhes, magos, bruxos, padres e pastores. Que pensem como satanistas e demônios.
Mas por favor, não pensem como filósofos, estou de saco cheio de filósofos. Que chupem todos os filósofos e simpatizantes de filosofias.

Aliás. Eu odeio. Odiar é bom. Odiar faz bem. Odiar é diferente de desrespeitar. Odiar é direito humano. Mas eu odeio todo tipo de respeito, principalmente o humano.

Esse equilíbrio das pessoas educadas prestativas e comunitárias. Isso é desequilíbrio de morrer, de sangrar. Esse desespero em ser médico, em ser advogado. Esse desespero de comer. De querer a mão, de enfiar a mão.

Esse desejo de comer a funcionária pública, a dona de casa, a moradora da favela, a jornalista. Essa ânsia de comer o cu de quem trabalha até escorrer suor na testa. De sentir tesão em comer quem não tem talento e tem pele oleosa de trabalho forçado.

Todo mundo sério. Um pouco de seriedade na hora de chupar, convenhamos.
E condenemos todos a serem boiadeiros, sertanejos, fazendeiros, empregadas domésticas, vaqueiros, lixeiros, catadores de papel, ambulantes, pedintes, mendigos, doentes, gente fedida, pobres e analfabetos. Que todos troquem boquetes entre si.

Olha o ciúme. Cuidado com os sentimentos. Com a água na boca. E se você duvida, ou tem certeza e consegue provar. Sai por aí chupando todos. Que chupem. Ceguinhos e surdinhos e todos os diminutivinhos também. E gente insegura, gente trapaceira, gente burra e gente inteligente, que chupem todos.

Matem policiais e advogados. Matem todos os índios, nacionalistas e débeis mentais. Matem algo importante por dia. E que chupem o que restar. Lambam tudo.
Que morram autônomos e que morra o dependente e vagabundo. Que morram todos que trabalham por dinheiro. E os que não trabalham por dinheiro, os de pele oleosa, que sofram na hora de cagar. É isso, que sofram na hora de cagar.

Cuidado com os sentimentos dos professores, principalmente com os professores universitários. Eles estão apodrecendo nossas células. Doutorandos, bacharéis, escritores, poetas, gente educada e gente gorda. Eles danificam dia a dia o nosso DNA. Que chupem nosso DNA.

Que chupem específicamente a quem confessa que não teve oportunidade na vida. Chupem quem não teve oportunidade na vida. Esses já chuparam muito na vida.

Negros? Judeus? Que chupem todas as raças e todas as repúblicas. Assim como todas as repúblicas e todos os republicanos de todas as nacionalidades. Que chupem os de boca seca. Que chupem mais ainda os heróis e ainda mais os anônimos. Que chupem e continuem chupando.

sábado, 3 de outubro de 2009

Laisse Tomber Les Filles

Ela tocou os lábios dele e percebeu que tinha a mesma temperatura que os seus, alto grau. Sua íris brilhava como uma estrela saindo pelo cu das nuvens. Era sua lente que tinha caído no chão. Perdia ali dois graus de astigmatismo, nem por isso deixou de enxergar qualquer coisa de ultra romântico. Garoava, e o frio da garoa prolonga ainda mais a noite, mais que o próprio frio do inverno.

Então ele cantou Charles Trenet até que sua teoria sobre o lusco-fusco do céu invadisse os olhos dela. Resenhou trechos de sua vida bem ali na Praça da Liberdade, ofereceu pontos de vista sobre Bertolucci e Woody Allen. Sem nada em troca. Claro, além da imaginação de vê-la nua. Ele a via sem que ela pudesse imaginar. Embora ela também imaginasse o mesmo.

A partir daquele dia ela comprou lentes azuis, pulou de bungee jump, bebeu vinho com chuva, tomou banho de porta aberta, fez tatuagem daquela flor que ela não sabia o nome. Publicou seus versos em blog e twitter, fez curso de francês e teatro. Trancou a faculdade de comunicação. Foi ao Cartório mudar de nome. Fez depilação a laser e topless na praia. Certa noite se jogou na frente do metrô, perto da Estação Lagoinha em Belo Horizonte, fingindo estar num filme - onde o Superman salvaria a jornalista Lois Lane.