Primeiramente não sinto nada por quem me lê. Que chupem e continuem chupando. Mas desprezo ainda mais quem não me lê, que mamem. Quem não me lê até o final então, nem deveria existir. E sinto pena de quem me lê pela metade. Que chupem e continuem chupando.
Desconfio sempre do elogio. Escuto a crítica como um som de uma chupada. Não aceito que me admirem. Por isso mesmo, muito menos que me corrijam. Que chupem. Não aposto para ganhar, perder ou empatar. Aposto para me impor.
Que rezem e orem por mim. E que morram também. Que se sacrifiquem por mim e sacrifiquem outros. Que pensem algo de bom ou de odioso sobre mim. Mas que pensem. E que pense enquanto chupam.
Pensem como gênios, paranormais, deuses, gurus, mestres, adivinhes, magos, bruxos, padres e pastores. Que pensem como satanistas e demônios.
Mas por favor, não pensem como filósofos, estou de saco cheio de filósofos. Que chupem todos os filósofos e simpatizantes de filosofias.
Aliás. Eu odeio. Odiar é bom. Odiar faz bem. Odiar é diferente de desrespeitar. Odiar é direito humano. Mas eu odeio todo tipo de respeito, principalmente o humano.
Esse equilíbrio das pessoas educadas prestativas e comunitárias. Isso é desequilíbrio de morrer, de sangrar. Esse desespero em ser médico, em ser advogado. Esse desespero de comer. De querer a mão, de enfiar a mão.
Esse desejo de comer a funcionária pública, a dona de casa, a moradora da favela, a jornalista. Essa ânsia de comer o cu de quem trabalha até escorrer suor na testa. De sentir tesão em comer quem não tem talento e tem pele oleosa de trabalho forçado.
Todo mundo sério. Um pouco de seriedade na hora de chupar, convenhamos.
E condenemos todos a serem boiadeiros, sertanejos, fazendeiros, empregadas domésticas, vaqueiros, lixeiros, catadores de papel, ambulantes, pedintes, mendigos, doentes, gente fedida, pobres e analfabetos. Que todos troquem boquetes entre si.
Olha o ciúme. Cuidado com os sentimentos. Com a água na boca. E se você duvida, ou tem certeza e consegue provar. Sai por aí chupando todos. Que chupem. Ceguinhos e surdinhos e todos os diminutivinhos também. E gente insegura, gente trapaceira, gente burra e gente inteligente, que chupem todos.
Matem policiais e advogados. Matem todos os índios, nacionalistas e débeis mentais. Matem algo importante por dia. E que chupem o que restar. Lambam tudo.
Que morram autônomos e que morra o dependente e vagabundo. Que morram todos que trabalham por dinheiro. E os que não trabalham por dinheiro, os de pele oleosa, que sofram na hora de cagar. É isso, que sofram na hora de cagar.
Cuidado com os sentimentos dos professores, principalmente com os professores universitários. Eles estão apodrecendo nossas células. Doutorandos, bacharéis, escritores, poetas, gente educada e gente gorda. Eles danificam dia a dia o nosso DNA. Que chupem nosso DNA.
Que chupem específicamente a quem confessa que não teve oportunidade na vida. Chupem quem não teve oportunidade na vida. Esses já chuparam muito na vida.
Negros? Judeus? Que chupem todas as raças e todas as repúblicas. Assim como todas as repúblicas e todos os republicanos de todas as nacionalidades. Que chupem os de boca seca. Que chupem mais ainda os heróis e ainda mais os anônimos. Que chupem e continuem chupando.